sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
BREVE PASSAGEM PELOS FUNDAMENTOS ORIGINAIS OCIDENTAIS
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
O QUE NÃO ESTAMOS QUESTIONANDO?
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
ENTRE O PASSADO E O FUTURO
Alexandre Aragão de Albuquerque
Em seu livro “O Capital no século XXI”, o economista francês Thomas Piketty apresenta o resultado de sua pesquisa na qual analisa o aumento da concentração do capital na mão de uma elite minoritária ao longo dos últimos duzentos anos de existência do capitalismo. Explica, de forma muito acessível, as características dessa concentração observada nos 20 países mais ricos, destacando que o nível de concentração dessa riqueza alcançou enorme dimensão e desproporção, além de garantir sua reprodução ao passar de pai para filho, configurando assim uma nova oligarquia mantida pelas políticas de Estado.
Pegando carona com Piketty e fazendo uma volta ao início do século XVIII, para uma breve leitura dos primeiros documentos que analisam a história de nossa fundação brasileira, vamos encontrar nas lavras de frei Vicente de Salvador uma constatação muito sintonizada com o tema. Ele afirma que “nenhum homem nesta terra é repúblico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular”, a partir do rei todo-poderoso que, segundo o historiador, só cuidava do país para lhe colher as rendas e direitos.
Continuando nossa viagem, dando um novo salto no tempo, vamos deparar com um documento muito peculiar de 31 de março de 1979, data em que se registrava o décimo quinto ano do golpe militar, numa edição especial do jornal Folha de São Paulo.Conforme a reportagem, ao fazer uma avaliação crítica daquele momento, para o gal. Alfredo Souto Malan a opinião pública reclamava com razão impacientemente pelo fim do arbítrio uma vez que, depois de 15 anos, o movimento golpista “não conseguiu acabar com a corrupção, não conseguiu organizar a vida administrativa do País, não conseguiu ordenar suas instituições políticas, nem conseguiu dar melhores condições de vida para o povo e, pelo contrário, só tem feito aumentar a área de miséria e a concentração da renda nacional nas mãos de uns poucos”.
Em seu estudo, Piketty assinala que uma desigualdade muito forte, como no caso da brasileira, pode levar ao sequestro das instituições democráticas por parte de uma pequena elite que não vai necessariamente investir na sociedade pensando no conjunto da população. Por isso, o crescimento no século XXI vai depender em grande medida do investimento em educação e formação para uma imensa maioria da população, e não unicamente para uma pequena elite. Consequentemente, as tensões pela distribuição da riqueza tendem a se ampliar na medida em que a informação chega a mais pessoas e de forma mais diversificada em virtude do surgimento das tecnologias da informação, diferentemente do que ocorria no passado.
A história também nos mostra que o processo de emancipação dos trabalhadores no correr dos séculos XIX e XX ampliou a concepção dos direitos que o liberalismo definia como civis ou políticos, introduzindo a ideia de direitos econômicos e sociais, cuja ênfase recai sobre a prática da participação popular ora entendida como intervenção direta nas ações políticas, ora como interlocução social que determina, orienta e controla a ação dos representantes. Ou seja, sem uma larga participação à vida política democrática de um corpo de cidadãos, vigoroso e informado, e com uma retirada geral a um refúgio na vida privada, até mesmo as mais bem projetadas instituições políticas cairão nas mãos daqueles que buscam dominar e impor sua vontade através do aparelho de Estado, seja por sede de poder, seja por razões de interesse econômico. A garantia da liberdade e da igualdade democráticas exige a participação ativa dos cidadãos. Uma sociedade autônoma, como coletividade, que se autogoverna, pressupõe o desenvolvimento da capacidade de todos os seus membros participarem nas suas variadas atividades deliberativas. A democracia, no sentido pleno, pode ser definida como o regime da participação e reflexividade coletivas. Somente pela formação e pela participação política teremos garantida em nosso futuro uma divisão mais equânime da riqueza produzida socialmente.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
AS LIÇÕES DE AMÁLIA
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
UM CRISTIANISMO NEUTRO, INSOSSO, PRA QUE SERVE?
domingo, 10 de agosto de 2014
TODA CRIANÇA É BONITA
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
MÍDIA NACIONAL CONTRA O SUCESSO DA COPA: UM ESFORÇO QUE NÃO DEU CERTO
quinta-feira, 1 de maio de 2014
REFAZER A POLÍTICA DE JUSTIÇA CARCERÁRIA
terça-feira, 29 de abril de 2014
BANANADA BRASILEIRA
quinta-feira, 17 de abril de 2014
CARPE DIEM
O ser humano é aquele que pode levantar a questão da validade sobre a sua práxis, sobre aquilo que deveria ser e não é, e sobre aquilo que não é e deveria ser. A ética emerge nesse contexto, como reflexão crítica destinada a tematizar os critérios que permitam superar o mal para conquistar o bem à humanidade. Seu objetivo fundamental é estabelecer o marco no qual seja possível configurar o mundo humano enquanto espaço efetivo de liberdade e justiça para todos.
Por um lado, ser livre é ser capaz de dizer não. É libertar-se da dependência interna - por exemplo, do instinto; e da dependência externa - por exemplo, de uma coação. Um ente é positivamente livre na medida em que possui a si mesmo e tem nessa relação consigo mesmo o fundamento do seu ser e do seu agir. No ser humano livre emerge a capacidade de controlar os impulsos em função de um fim mais alto, degrau entre a vontade natural e uma vontade livre, escolhida.
Mas a liberdade não pode esgotar-se na esfera da arbitrariedade da vontade, do ponto de vista do indivíduo isolado em si mesmo, de uma subjetividade atomizada, onde o particular enquanto particular é o essencial, o absoluto. O ser humano é igualmente um ser em relação, um ser de um mundo já feito e ao mesmo tempo sempre por fazer. Assim, não há liberdade sem processo de libertação. A liberdade humana só é liberdade efetiva enquanto liberdade no mundo da natureza e da sociabilidade, ou seja, quando ela se faz fundamento que alicerça a relação com a natureza e a vida comum dos sujeitos entre si.
Nem interioridade pura, nem exterioridade pura podem construir a liberdade. Ser humano significa conquistar-se como ser livre e o caminho para chegar lá é cada individualidade compreender-se não como realidade isolada, mas construir um mundo que seja efetivador da liberdade onde cada um existe para si enquanto existe com o outro, pelo outro e para o outro.
É na vida em comum que se pode exercer a possibilidade de outras configurações de mundo, a partir do diálogo e do respeito ao outro. A garantia do respeito ao outro deve ocupar lugar central em uma sociedade democrática e republicana, a qualquer outro, com sua inclusão integral na vida da sociedade. E isso é atribuição não somente do Estado, mas da Sociedade como um todo, incluindo-se logicamente o Mercado, numa dinâmica trialógica entre essas três esferas estruturantes da vida comum.
Como lembra Tocqueville, não há grandes povos sem a ideia dos direitos humanos; não há grandes homens sem respeito aos direitos humanos: pode-se dizer que não há sociedade, pois o que é uma reunião de seres racionais e inteligentes cujos únicos vínculos são o egoísmo e a competição?
Então, somente quando palavra e ação não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades, e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar relações e novas realidades, tem-se uma verdadeira realização política, na liberdade.
Segundo Hannah Arendt, o milagre da liberdade está inserido nesse poder de iniciar. O termo grego archein significa iniciar e comandar, isto é, ser livre; o termo latino agere significa por em movimento, isto é, desencadear um processo. Se o sentido da política é a liberdade, então isso significa que nós, nesse espaço, e em nenhum outro, temos de fato o direito de ter expectativa de “milagres”. Não porque se acredite (religiosamente) em milagres, mas porque os humanos, enquanto puderem agir, são aptos a realizar o improvável e o imprevisível, e realizam-no continuamente, quer saibam disso, quer não.
Somente dessa forma, conforme a autora, a política pode dar sentido à existência coletiva na terra. Na convivência ética entre seres livres e iguais, as dimensões deontológica e teleológica da ação política precisam desenvolver um diálogo dinâmico e sintonizado entre si na busca da construção do bem humano coletivo. É um percurso extenuante. Ou como diria Celso Furtado, “um longo amanhecer”.
Para o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, a possibilidade é o movimento do mundo. Ele divide em três momentos o caminhar da possibilidade: 1) o momento da carência (onde emergem as manifestações de algo que falta); 2) o momento da tendência (onde começam a clarificar processos e sentidos); 3) o momento da latência (onde se apontam para os caminhos a serem trilhados no processo).
A carência é o domínio do Não. A tendência é a compreensão do Ainda-Não, ou seja, a compreensão no presente de uma possibilidade incerta, mas nunca neutra. E a latência é o domínio do Nada ou do Tudo, uma vez que essa possibilidade tanto pode redundar em frustração como em esperança. Por isso Boaventura aponta para a necessidade de conhecer bem as condições de possibilidade da esperança, buscando-se definir bem os princípios de ação que promovam a realização dessas condições.
Um elemento importante destacado pelo autor trata da qualidade da dimensão subjetiva, que leve adiante essa possibilidade, alicerçada numa consciência cosmopolita, que não desperdice as experiências que indivíduos e grupos realizam pelos quatro cantos da Terra, em busca de encontrarem respostas às suas insatisfações. É um movimento que vai ao encontro do conhecimento das experiências sociais quanto das expectativas sociais. Muitos dos movimentos emancipatórios das últimas décadas começaram por experiências sociais locais
travadas contra a exclusão social.
Neste sentido, Boaventura propõe uma ecologia dos reconhecimentos, que vá numa direção contrária às lógicas atuais de desqualificação de práticas experienciais de emancipação social que resultam imediatamente na desqualificação dos agentes. Para ele é preciso alargar o círculo das reciprocidades, criando novas exigências de inteligibilidade recíproca, uma vez que ocorrem uma multiplicidade de formas de resistência e de luta que mobilizam diferentes atores coletivos, vocabulários, práticas e recursos nem sempre inteligíveis entre si, o que pode colocar sérias dificuldades para o diálogo político.
Em cada momento, há sempre um horizonte limitado de possibilidades e por isso, diz Boaventura, é importante não desperdiçar a oportunidade única de uma transformação específica que o presente oferece.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
DAR À LUZ A VERDADE
Sem dúvida, essas condições de liberdade e igualdade, para o pleno exercício da busca e explicitação da verdade, jamais serão atingidas em regimes autoritários e ditatoriais.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Davos 2014 e o perigo da ampliação da desigualdade mundial
Contudo, simultaneamente, uma pesquisa promovida pela Pricewaterhouse Coopers, publicada dois dias depois, destacava que as mil multinacionais que financiaram a Cúpula de Davos defendem terminantemente a desregulação dos mercados e a redução dos déficits fiscais - ou seja, redução do investimento social dos governos nacionais, independente das necessidades de suas populações - como instrumentos fundamentais para lidar com os problemas econômicos globais.
Em sua pesquisa a Oxfam assevera que em 24 dos 26 países mundiais que têm estatísticas dos últimos 30 anos, sete de cada dez pessoas no mundo vivem em lugar mais desigual. Além disso, os ricos têm uma forte e crescente influência sobre os processos políticos implicando problemas de legitimidade nas decisões de governos.
Acontece que a crise de 2008 não foi causada pelos pobres, mas pelos ricos com sua especulação financeira. Como se sabe, os paraísos fiscais foram fundamentais nesta especulação, constituindo-se uma das chaves para o não financiamento dos Estados, forçando nestes a adoção de políticas de redução fiscal aos mais ricos para que eles não recorram à fuga de capital, inibindo a implantação de políticas sociais e econômicas que reduziriam a desigualdade. Desde a década de 1970, a carga tributária diminuiu para os ricos em 29 dos 30 países onde existem dados disponíveis. Esta é uma política impulsionada pelo crescente poder político dos ricos e pelo forte desequilíbrio em favor das corporações na distribuição dos lucros econômicos entre trabalhadores e o capital, com a queda do salário real médio.
Marx já havia demonstrado que a livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. No início do século XX, os monopólios em importantes ramos da indústria como do petróleo, química, aço, carvão tomavam a forma de cartéis e de trustes: os cartéis estabeleciam entre si acordos sobre as condições de venda, os prazos de pagamento, repartindo os mercados de venda, fixando quantidades de produtos a fabricar, estabelecendo os preços e distribuindo os lucros entre si. Neste processo, os bancos transformaram-se de intermediários em monopolistas onipotentes, dispondo de quase todo o capital-dinheiro do conjunto dos capitalistas, bem como da maior parte dos meios de produção e das fontes de matérias-primas de muitos países.
A concentração do capital financeiro e o aumento do movimento dos bancos provocou uma importante modificação na economia capitalista. Houve um estreitamento da relação dos bancos com a indústria e o comércio e, nessa relação, os bancos assumiram um papel de dominação sobre o resto da economia, subordinando as operações comerciais e industriais de toda a sociedade capitalista, colocando-se em condições primeiro de conhecer com exatidão a situação dos diferentes capitalistas, depois de controlá-los, exercer influência sobre eles mediante a ampliação ou a restrição do crédito, facilitando-o ou dificultando-o, e de decidir inteiramente sobre o seu destino, determinar a sua rentabilidade, privá-los de capital ou permitir-lhes aumentá-lo rapidamente e em grandes proporções.
As “primaveras” promovidas pelas populações de várias partes do mundo são uma expressão clara de advertência do perigo que estamos correndo da ruptura do contrato social e da dissolução da ideia de cidadania perpetrada por essa política do dinheiro. É preciso haver um combate global contra a evasão fiscal e aos paraísos fiscais, juntamente com adoção de políticas sociais e econômicas que implementem a redução da desigualdade em escala planetária, para que possamos produzir verdadeiramente a sustentabilidade humana presente e futura.
domingo, 17 de novembro de 2013
O longo processo de conquista da cidadania brasileira
Alexandre Aragão de Albuquerque
Mas a partir das mobilizações sociais dos anos 1980 que desaguaram na promulgação da Constituição de 1988, bem como com a abertura do Brasil à economia mundial, um novo marco regulatório sob uma nova base material são geradores de novos sujeitos políticos que entram em cena pública na luta pela conquista de direitos de cidadania, etapa fundamental para a consolidação de nossa república. Assim, o processo de conquista da cidadania continua, afinal revoluções, via de regra, tendem a ocorrer quando as coisas estão melhores porque o crescimento tem a qualidade de exaltar forças antes inexistentes.
terça-feira, 2 de julho de 2013
UM NOVO SONHO
Um sonho acabou: a Brigitte envelheceu.
Essa população colonizada, ao longo de sua história de formação resistente, continuou insistindo em seu "defeito". Desse parto sofrido nasceram filhos e filhas maravilhosos: Zumbi, Caneca, Chiquinha, Cacilda, Pixinguinha, João, Mané, Edson, Celso, Darcy, Paulo, Chico, Tom.
Festa é vida compartilhada: é samba, é frevo, é forró, é futebol.
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